Terapia Neural

Terapia Neural

A terapia neural pode não ser muito conhecida, entretanto os fundamentos desse método são estudados há mais de um século.

Incontáveis cientistas e médicos pesquisaram incansavelmente sobre o sistema nervoso do corpo humano, suas particularidades e funcionamento, bem como os efeitos de anestésicos locais nessa rede neural interligada para o tratamento de enfermidades. Até que em 1928, os irmãos Huneke lançaram as premissas da Terapia Neural, que influenciam e guiam terapeutas e pacientes nos dias atuais.

Terapia Neural e o Sistema Nervoso Vegetativo

A terapia neural visa a metabolização das irritações do sistema nervoso vegetativo (SNV) que são possíveis geradoras de determinados sintomas e doenças.

O SNV está presente em todo o corpo e tem como principal função a preservação da homeostase – o equilíbrio do organismo. Para tanto, controla a temperatura corporal, os processos digestivos, as funções respiratórias, além de ser responsável por aspectos da circulação sanguínea como a frequência cardíaca e a pressão arterial.

O SNV conduz nosso corpo pelas inter-relações com o ambiente, quando por exemplo apresentamos tremores, constrição de vasos sanguíneos e arrepios em situação de frio extremo. Dessa forma, o organismo é capaz de gerar calor e diminuir o gasto energético a fim de manter a temperatura corporal e garantir a sobrevivência.

Como o sistema nervoso vegetativo é totalmente interconectado, é possível que uma irritação em determinada parte do corpo traga consequências para todo a rede neural, que sofre modificações no intuito de se adaptar às condições adversas.

Isso explica porque as fibras nervosas ao redor de um dente prestes a nascer podem ficar irritadas e causar uma febre como reação, ou como depois de cirurgias invasivas é provável que dores em articulações se manifestem em locais do corpo distantes do foco da intervenção cirúrgica.

O principal objetivo do profissional que trabalha com terapia neural é identificar em que parte do organismo do paciente existe uma fibra nervosa irritada, encontrar os possíveis motivos para essa condição e depois estimular sua reparação para devolver ao organismo seu equilíbrio e plena funcionalidade.

O terapeuta neural busca dados e fatos importante sobre a vida do paciente, as intervenções odontológicas e cirúrgicas já realizadas e o histórico de infecções recorrentes.

Exames físicos, com inspeção e palpação podem ajudar a identificar as regiões em que há alterações no SNV, como áreas dolorosas, lesões na pele, ausência de pelos e atrofias.

Radiografias panorâmicas também pode ser feitas para trazer informações sobre a boca, região em que há grande incidência de irritações – aproximadamente 70% dos casos.

Os Campos Interferentes

As áreas em que existem irritações que podem causar sintomas em regiões distantes de sua origem são conhecidas como campos interferentes.

Os campos interferentes mais comuns estão na boca: dentes infectados, sisos mal posicionados ou inclusos e cistos apicais. Tais focos irritativos podem desencadear o aparecimento de dores no joelho ou crises de enxaqueca, por exemplo.

Também as cicatrizes muitas vezes configuram campos interferentes, afinal constituem interrupções nos circuitos neurais associadas muitas vezes a memórias traumáticas – cicatrizes de cesariana, cirurgia de apêndice, vacinas, queimaduras e até tatuagens.

O Tratamento na Terapia Neural

O tratamento na terapia neural, portanto, depende da identificação dos possíveis campos interferentes e posterior aplicação de anestésicos locais – procaína ou lidocaína – em baixas concentrações nos locais indicados.

Importante ressaltar que o efeito procurado com a injeção dessas substâncias não é o anestésico e sim o efeito elétrico que induz células a uma tensão de 290 mV que permite a repolarização e estabilização da membrana plasmática de células afetadas.

A terapia neural é indicada para casos de estresse, dores de cabeça, cansaço, dores articulares e musculares, alterações hormonais, desequilíbrio na tireoide, infertilidade, entre outros.

A Procaína

Entre as propriedades da procaína, destaca-se a rápida metabolização plasmática que não depende do fígado, fato que explica a ótima tolerância dos pacientes ao anestésico.

Para além da função reguladora, a procaína possui outros efeitos farmacológicos:

  • Vasodilatação;
  • Anti-histamínico;
  • Anti-inflamatório;
  • Efeito espasmolítico na musculatura lisa em geral – útero, intestino, e brônquios;
  • Estímulo da diurese;
  • Melhora da microcirculação e redução da permeabilidade capilar.

Neutralizar a irritação e contribuir para um melhor funcionamento do sistema neurovegetativo, proporcionando melhoras no bem-estar e qualidade de vida dos indivíduos é o objetivo principal dos tratamentos baseados nas práticas da terapia neural.

Lembre-se de procurar profissionais de confiança para orientação. Tire todas as dúvidas antes de tomar qualquer decisão.

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